segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

República, política, governantes...

       Dia 15 de Novembro foi aniversário da proclamação da república.  São 122 anos de histórias conturbadas, felizes, desastrosas, bonitas, curiosas. Em muitas ocasiões, a nossa República fugiu à sua definição tradicional de “Coisa Pública” para tornar-se palco do triunfo de minorias, como nos conhecidos casos da “política do café-com-leite”, da ditadura militar e dos escândalos de corrupção que ocorreram no século em que vivemos. A política oscila muito – fato que se materializa diante dos nossos olhos ao estudarmos história - fazendo com que seja praticamente impossível agradar todos os grupos sociais ao mesmo tempo. Mas no momento em que o problema social não deriva do caráter oscilatório da política, mas sim do mau caráter dos administradores, os quais priorizam o individual em detrimento do coletivo (social), aí se deve repensar.
Quando um governante dá um pouco menos de atenção a determinado setor social para que outras necessidades da nação sejam atendidas (e aí se pode tomar como exemplo presidentes que favoreceram a industrialização e não priorizaram as reformas de base, como JK), apesar dos descontentamentos provenientes do setor desfavorecido (que podem até vir a derrubar o detentor do poder), pode-se dizer que o governante não foi de todo ruim, pois pensou no bem da nação, à sua maneira. O caso crítico a que me refiro é quando a má administração é fruto da ganância de um político que prioriza o seu bolso, enquanto cidadãos morrem esperando atendimento hospitalar, ou sofrem com a insegurança nas ruas, decorrente de investimentos mal direcionados.
É extremamente difícil visualizar, com precisão, o gerador desse problema. A corrupção é um aspecto que deriva do caráter, da essência da personalidade do indivíduo. Além desse fator problemático, existe outra pergunta a se fazer: estaria Brasília “projetada” para corromper os que chegam ao poder? O deputado, senador, ministro ou até presidente que assume acaba, inevitavelmente, tendendo à corrupção por não ter opção melhor? Se estiver assim a situação, temo pelo futuro do nosso país. Necessitaríamos de mudanças extremamente drásticas, revolucionárias. E nunca se sabe qual seria o preço a se pagar para mudar tão drasticamente.  
Resta agora torcer pelo aparecimento de mentes altruístas, de políticos com visão ampla e vontade de fazer o país evoluir. Que não haja mais dinheiro público parado em pouquíssimas mãos, mas sim aplicado, agindo, fazendo algo de bom. E viva a República.  

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