Em
todos os lugares, a todo momento, ouvimos pessoas falando que o mundo está um
caos, que a sociedade é injusta, que é necessário uma mudança drástica no
sistema vigente – por “sistema” entenda-se estrutura socioeconômica, estrutura
política. Queixar-se dos problemas do mundo atual tornou-se tão comum quanto
respirar. Muitos reclamam da
desigualdade social, mas exterminá-la completamente é impossível.
A desigualdade ocorre principalmente
devido ao surgimento do modo de produção capitalista, o qual fez entrar em cena
a competição. Competição pelo crescimento individual, pela ascenção social,
para sermelhor do que os outros. Tendo isto como problema a ser resolvido, a
proposta de situação ideal fica óbvia: uma sociedade sem desigualdades. Mas
seria isto possível? E se alcançássemos esta situação, ela duraria por muito
tempo?
A desigualdade não se originou única e
exclusivamente por causa do capitalismo. Ela é fruto, também, das diferenças
entre as próprias pessoas. Algumas sabem administrar melhor o dinheiro, tendo
sucesso, abrindo um negócio, tomando posse de meios de produção; outras não
sabem o que fazer com o que tem, acabam falindo e tendo que se submeter a uma
sociedade onde quem tem mais posses domina. Tendo ciência dessas diferenças,
imaginemos uma sociedade sem desigualdades. Ao passar de alguns anos,
começariam a surgir diferenças, oriundas da capacidade de progredir – ou
regredir – economicamente das pessoas. Quem ganha dinheiro e sabe
administrá-lo, passa a ganhar ainda mais. Logo, as diferenças cresceriam
exponencialmente. Adeus, sociedade perfeita.
Alguns sugerem, então, o socialismo.
Forçar as pessoas a serem iguais, tirando-lhes o direito à propriedade privada.
Se bem aplicado, o socialismo supre as necessidades básicas de todos, o que
seria ótimo. Mas... supre só as
necessidades básicas. As pessoas vão passar a querer mais, e isso poderia
causar revolta. O “pacote” do socialismo inclui também uma economia
planificada, o que, no contexto atual globalizado, está longe de ser uma boa
ideia.
O homem quer sempre evoluir
economicamente, e isso se dá, muitas vezes, às custas de outros. A desigualdade
acaba sendo uma praga, que tem vida própria, reproduz-se inevitavelmente. Ao que
parece, estamos fadados a conviver com isso. O jeito é tentar amenizar, o
máximo possível.
Interessante e importante... Adoraria se tivesse mais textos como esse, que nos ajudam a refletir mais sobre política de uma forma nada maçante através textos curtos e de linguagem acessível.
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