Algo
que realmente me aborrece é ver pessoas que, para tentarem ser diferentes – e
muitas vezes para “aparecerem” com isso – começam a bancar os revolucionários.
Contra o sistema, contra a polícia, contra o exército, contra o governo...
contra. E, de tantos que fazem isso, começo até a pensar que tentar ser
diferente, tentar ser alguém único nadando contra a corrente acabou virando uma
modinha. Por mais contraditório que possa parecer.
Essas pessoas passam dizendo que os
cidadãos estão sendo oprimidos, enganados, que a mídia não passa de uma arma de
manipulação e que polícia, exército e governo são motores diabólicos de uma
dominação inescrupulosa. Em alguns casos, algumas dessas coisas podem ser
parcialmente verdadeiras. Mas a generalização com que os pseudo revolucionários
tratam essas questões é incrível. Parece que, às vezes, só querem criticar, só
gritar aos quatro cantos que tudo está uma porcaria e a sociedade é má. Pelo
simples prazer em falar mal, só para levantar a bandeira de uma revolução que
eles nunca fazem de fato.
No grupo dos pseudo revolucionários,
está contido o grupo dos pseudo comunistas. Em muitos casos, são pessoas que
mal leram (ou mal compreenderam) os verdadeiros princípios da doutrina
comunista/socialista. Pessoas que dizem da boca pra fora: “sou comunista”. E
criticam vorazmente o capitalismo, como se este fosse a fonte de todo o mal e
de toda a desigualdade social presente na atualidade. Apontam a conversão total
ao comunismo como a única saída, sem nem refletir sobre o quão utópica esta é
(é utópica tanto a conversão total ao comunismo quanto a sociedade “perfeita”
pregada pelo comunismo em si).
Outro aspecto com o qual fico
incomodado é o fato de que, para muitas dessas pessoas, se você não pensa como
elas, não apóia a pseudo revolução delas, você é um alienado, tomado pela
mídia, que “faz o que o sistema quer que você faça”. Não compreendem que não é necessário sair por aí espalhando ideias utópicas e superficiais de revolução, com uma camiseta do Che Guevara, para ser uma pessoa esclarecida e com desejo de mudança.
Precisa-se urgentemente de mais pensamento crítico e de mais propostas de mudança com sólidas bases teóricas e aplicações práticas. Menos revoluções imaginárias e mais atitude realista.
Precisa-se urgentemente de mais pensamento crítico e de mais propostas de mudança com sólidas bases teóricas e aplicações práticas. Menos revoluções imaginárias e mais atitude realista.