quinta-feira, 1 de março de 2012

Pseudo revolucionários


        Algo que realmente me aborrece é ver pessoas que, para tentarem ser diferentes – e muitas vezes para “aparecerem” com isso – começam a bancar os revolucionários. Contra o sistema, contra a polícia, contra o exército, contra o governo... contra. E, de tantos que fazem isso, começo até a pensar que tentar ser diferente, tentar ser alguém único nadando contra a corrente acabou virando uma modinha. Por mais contraditório que possa parecer.
         Essas pessoas passam dizendo que os cidadãos estão sendo oprimidos, enganados, que a mídia não passa de uma arma de manipulação e que polícia, exército e governo são motores diabólicos de uma dominação inescrupulosa. Em alguns casos, algumas dessas coisas podem ser parcialmente verdadeiras. Mas a generalização com que os pseudo revolucionários tratam essas questões é incrível. Parece que, às vezes, só querem criticar, só gritar aos quatro cantos que tudo está uma porcaria e a sociedade é má. Pelo simples prazer em falar mal, só para levantar a bandeira de uma revolução que eles nunca fazem de fato.
         No grupo dos pseudo revolucionários, está contido o grupo dos pseudo comunistas. Em muitos casos, são pessoas que mal leram (ou mal compreenderam) os verdadeiros princípios da doutrina comunista/socialista. Pessoas que dizem da boca pra fora: “sou comunista”. E criticam vorazmente o capitalismo, como se este fosse a fonte de todo o mal e de toda a desigualdade social presente na atualidade. Apontam a conversão total ao comunismo como a única saída, sem nem refletir sobre o quão utópica esta é (é utópica tanto a conversão total ao comunismo quanto a sociedade “perfeita” pregada pelo comunismo em si).
         Outro aspecto com o qual fico incomodado é o fato de que, para muitas dessas pessoas, se você não pensa como elas, não apóia a pseudo revolução delas, você é um alienado, tomado pela mídia, que “faz o que o sistema quer que você faça”. Não compreendem que não é necessário sair por aí espalhando ideias utópicas e superficiais de revolução, com uma camiseta do Che Guevara, para ser uma pessoa esclarecida e com desejo de mudança.
      Precisa-se urgentemente de mais pensamento crítico e de mais propostas de mudança com sólidas bases teóricas e aplicações práticas. Menos revoluções imaginárias e mais atitude realista.